Temas e Reflexões

O processo de individuação

Um dos tópicos que o filme "Irmãos de Sangue" (2010) nos permite pensar é sobre o processo de individuação. Deste modo, encontramos na obra do pensador suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) - o pai da psiquiatria analítica - uma grande contribuição no que diz respeito ao tema. Nas palavras do pensador psiquiatra:
"Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si mesmo. Podemos, pois traduzir individuação como tornar-se si mesmo ou o realizar-se do si mesmo"
(Jung, O Eu e o Inconsciente, pág. 49)


Tudo começa com uma relação estabelecida entre a mente consciente e os elementos situados no inconsciente que pode ocorrer a partir dos sonhos e das fantasias. Na terapia junguiana essa conexão é imprescindível e as patologias psíquicas são o resultado de sua inexistência, ou seja, da falta definitiva de diálogo entre as duas esferas. A partir dessa experiência, considerando o aspecto favorável, Jung propõe ao indivíduo o seu ingresso no processo de individuação, que, a partir de um extenso mergulho no "eu" e de sucessivas transformações psicológicas, proporciona a concretização do ser em sua totalidade, uma vez ocorrendo a integração entre as tendências e funções que lhe são opostas.